UF de Silveiros e Rio Covo

História

Freguesia de Silveiros

A primeira referencia a Silveiros surge num documento do século X, onde esta freguesia vem designada por vila Sisbarios. E, à semelhança de Silva, diz-se que o seu topónimo também deriva do latim, sendo que neste caso, Silveiros queria dizer “ homens dos bosques”, Silveiros foi, antigamente, uma vigararia anexa à reitoria de S. Romão de Fonte Coberta, que se tornou mais importante que esta, quando os reitores decidiram vir para aqui viver, transferindo os vigários para a outra paroquia.

Naquela altura, Silveiros compreendia não só uma, mas duas circunscrições paroquiais: era constituída pela freguesia de S. João Baptista e pela de S. Salvador e as inquirições de 1220, referem isso mesmo.

Neste mesmo documento se acrescenta que em S. João havia uma Herdade Honrada que era pertença do Arcebispo e que na de S. Salvador existia um Couto instituído por Martinho Fernandes, senhor de Faria. Tendo cada uma delas uma igreja paroquial distintas, ambas foram mantendo uma vida independente . Mas apesar de ainda estarem separadas, em 1597, já o mesmo vigário curava as duas paroquias.

Em 1624, há noticia de se começar a construir, no lugar de Outeiro, uma nova igreja que surgia para servir as duas paroquias. Seria a partir daqui e ainda neste século (XVII), que as duas freguesias se uniram numa só. Esta igreja do lugar do Outeiro que foi reformada e ampliada em meados do século XVII, ainda constitui a actual matriz desta bela e aprazível freguesia.

O topónimo Silveiros, segundo o Padre António Gomes Pereira, vem da palavra latina "silva" ou "bosque".

Relativamente ao património cultural e edificado da freguesia, é de referir que existem quatro cruzeiros :Um no lugar do Outeiro, sem data; outro em frente à matriz que tem gravado na base a data de 1734; outro no lugar de S.João, metido na parede da casa do Adro e outro no lugar de S.Salvador.

Este facto originou uma designação popular para a povoação: " Freguesia de quatro cruzeiros "

Silveiros foi uma freguesia portuguesa do concelho de Barcelos, com 3,82 km² de área e 1 181 habitantes (2011), Densidade: 309,2 hab/km².

Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Santa Eulália de Rio Covo, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Silveiros e Rio Covo (Santa Eulália) da qual é sede.

A área que hoje constituiu Silveiros repartiu-se noutros tempos por duas paróquias, São João de Silveiros e São Salvador de Silveiros. São Salvador ficava a sul e poente de São João e vinha já no Censual do Bispo D. Pedro de Castilho.

Em S. Salvador registou-se até tarde uma Vila de Silveiros, que deve ter sucedido a uma citânia. Falam dessa vila as Inquirições e um documento do ano 965.

Vila Meã, que Garcia da Cunha desmembrou de Fralães no século XVI, pertencia a S. Salvador e deve corresponder a uns bens que, segundo as Inquirições, os Correias aí adquiriram.

O Palácio que aí existe é obra de inícios do século XX.

No Arquivo Distrital, conserva-se, na versão original, o Tombo de S. Salvador, anexo ao de Fonte Coberta; data de 1548.



Freguesia de Rio Covo

A Origem de Rio Côvo Santa Eulália

História 

 

            A Freguesia de Rio Côvo Santa Eulália pertence ao Concelho de Barcelos, Distrito de Braga, e ocupa uma área de 331 ha, estando distanciada da sede concelhia cerca de 9 km. Banhada pelo Rio Côvo, Rio Côvo Santa Eulália está situada parte na encosta do Monte de Remelhe, que aqui lhe chamam Monte Grande, e parte em vale ameno e fértil. Confina com as Freguesias de São Paio de Midões e Várzea, a Norte; Carvalhas e Silveiros, a Sul; Moure, Fonte Coberta e Carreira, a Nascente e, ainda, com Remelhe, a Poente.

O documento mais antigo que se conhece mencionando esta freguesia data do ano de 906, designando-a de Santa Eulália de Águas Santas, Santa Olaia ou Santa Baia, como outrora lhe chamava o povo. Só mais tarde é que viria a adoptar o apelido do rio que nela passa. Aparece neste tempo igualmente com a designação de Sylva Scura significando “ bosque escuro” dando a entender que seria uma zona de mata densa. As suas fronteiras mantêm-se desde então sem alterações significativas. A designação de “Águas Santas” resulta das águas de uma fonte desta Freguesia serem consideradas milagrosas.

No Censual de Braga, do século XI, já surge com a designação de Santa Eulália de Ribulo Côvo. A Freguesia aparece ainda mencionada nas Inquirições de D. Afonso II, em 1220. Depois, em 1290, aparece como Couto de Santa Ovaia de Rio Côvo.

Rio Côvo Santa Eulália, estava integrada nas Terras de Faria. O Rei não tinha aqui algum reguengo e davam ao Senhor da terra “colheita” umas vezes o terço, outras o quarto e outras o quinto. Esta Freguesia tinha dentro dos seus limites sesmarias e 18 casais, o Hospital 11 Casais, o Sepulcro 1 casal e Várzea 4 casais. A sua comenda tinha ainda casais em Midões, Silveiros, Remelhe, Moldes, Pedra Furada, Chorente, Moure, Paradela, Pereira, etc.

Esta Freguesia foi Comenda dos da Ordem dos Templários que, segundo a opinião de alguns escritores, foi admitida em Portugal, em 1125, pela Rainha D. Tareja. Em 1128, já tinha casa em Braga, onde também teve um Hospital. Extinta a Ordem dos Templários em 1312, el-rei D. Dinis criou a nova Ordem de Cristo, passando para esta todos os bens daquela.

Quando, em 1718, Fr. Luís Xavier Furtado de Castro do Rio Mendonça, Visconde de Barbacena, Comendador de Santa Eulália de Rio Côvo, mandou fazer o Tombo desta Comenda, dele consta que possuía terras nesta Freguesia e noutras. Esta comenda tinha aqui Casa da Renda, onde recebia as suas pensões, cujos vestígios ainda hoje se vêem junto à antiga residência paroquial. Primitivamente, a Igreja Matriz e Residência Paroquial eram em Águas Santas, onde se encontram ainda restos de alicerces de antigas edificações, junto à actual capela do mesmo nome e num campo onde está o Cemitério Paroquial. Em meados do século XVII, Águas Santas deixou de ser matriz, passando esta para uma capela que perto existia e que, segundo reza a tradição, pertencia à casa de Paços de Cima. Esta Capela, hoje Capela-Mor da Igreja Paroquial, está interiormente revestida de azulejos, nos quais está gravada a seguinte inscrição: “Anno de 1619”.

Em Águas Santas, quando ali era matriz, houve a confraria de sacerdotes denominada de S. Pedro. Era tão antiga que, em 1712, já não se sabia a data da sua fundação. Os seus estatutos, reformaram-se em 1614 e foram aprovados pelo Papa Urbano VIII. Nessa reforma de estatutos se faz referencia à sua instituição em Águas Santas, Freguesia de Santa Eulália de Rio Côvo, “no tempo em que florescia a celebre e decantada Religião dos Templários”, cuja capela “era então reputada tabernáculo e igreja conventual dos mesmos Religiosos na sobredita paroquia”.

Passando esta confraria para a Freguesia de Silveiros, fixou-se por fim na de Viatodos, onde já estava quando, em 1749, foram reformados, pela terceira vez, aqueles estatutos, tomando então o nome de Irmandade de Sacerdotes de Nossa Senhora das Neves.

A Confraria do Santíssimo Sacramento foi aprovada em 1575 por Bula de Paulo III. Em 1772, foram aprovados os actuais estatutos pela autoridade civil e pela eclesiástica, em 1777.

Existe ainda a Confraria da Senhora do Rosário que, segundo consta, foi erecta em 1636 pelo Prior da Igreja do Convento de S. Domingos de Viana da Foz do Lima, a quem dava contas até 1821, passando depois a prestá-las às autoridades civis. Os seus actuais estatutos foram aprovados em 1805 e pela Igreja em 1806.

Refira-se que nesta Freguesia chegou a haver também uma capela em honra de Santa Ana, dentro da actual Quinta de Paços. Ignora-se a data da sua fundação, bem como a da sua demolição, embora ainda aí se encontrassem, no inicio do século XX, vestígios da sua existência. A Imagem que aí se venerava foi levada para a actual Igreja Paroquial.

No século XII, as “Águas Santas” de Rio Côvo foram muito procuradas como instância termal, facto que é testemunhado pelos tanques de banhos ali encontrados numa escavação do século XVIII, bem como pelas cerâmicas e tubagens da época, descobertas em escavações mais recentes.

De acordo com o Censo da população de 1527, tinha esta Freguesia 52 moradores; no século XVII, 70 vizinhos; no século XVIII, tinha 80 fogos; no século XIX, 480 habitantes, sendo 210 do sexo masculino e 251 do feminino, sabendo apenas ler 73 homens e 14 mulheres.

 

No âmbito histórico-cultural, importa referir o nome de personalidades locais, que, no seu tempo, muito contribuíram para o orgulho da população de Rio Côvo Santa Eulália, a saber:

 

·        Gonçalo Nunes de Faria – Filho do bom Nuno Gonçalves de Faria o célebre Alcaide da Faria que, vendo matar seu pai junto dos muros do Castelo de Faria, defendeu este das arremetidas dos castelhanos. Sendo senhor de Azurara, Pindelo e Fão, por mercê de D. João I, se ordenou de clérigo e foi Abade de Santa Eulália de Rio Côvo por volta de 1380.

 

·        Antão Gonçalves Pereira – Governador do descobrimento da Guiné e Abade desta Freguesia no século XV, foi o fundador da Casa da Boa Vista.

 

·        João Gonçalves de Sequeira – Foi Abade desta Freguesia antes de 1567; mandou imprimir um breviário do século VII que, em 1110 (1070) o Arcediago de Braga, D. Árias, achara enterrado no laranjal do Convento de S. Simão da Junqueira.

 

·        Fr. João de Santa Eulália de Rio Côvo – Frade franciscano, famoso homem de letras, natural desta Freguesia, foi duas vezes Provincial da Ordem e viveu em fins do século XVII.

 

·        Dr. D. Fr. João Baptista da Silva – Frade beneditino, considerado o melhor aluno do seu tempo, natural da Casa de Paços desta Freguesia, foi duas vezes Abade de Tibães e Geral da Ordem. Tendo nascido em 1679 e falecido em 1765, edificou o Portal Sul da Casa de Paços, que está datado (1714), bem como parte da ala sul desta casa.

 

·        Capitão Manuel da Silva Fonseca – Nasceu nesta Freguesia na Casa de Paços, casou em Remelhe, onde era senhor da Casa de Moldes, e fundou e sustentou à sua custa uma companhia de auxiliares com a qual defendeu as fronteiras nas guerras da Aclamação.

 

·        Major Dâmaso José de Andrade Rego e Faria – Foi Vereador em Barcelos e fez toda a campanha peninsular, foi senhor da Casa de Paços de Cima.

 

·        Padre Miguel da Silva Fonseca – Nascido na Casa de Paços, foi vigário nas Carvalhas e Cónego Cura na Colegiada de Barcelos. Benfeitor da Misericórdia de Barcelos onde existe o seu retrato. Faleceu em 1810.

 

·        António Carneiro de Figueiredo Pereira Coutinho – Senhor da Casa da Boa Vista e do Morgado de Senra, em Vila de Conde, foi deputado às Cortes em 1828.

 

·        Dr. Miguel Pereira da Silva – Bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, nascido nesta Freguesia e falecido em Barcelos, em 1913. Foi Conservador do Registo Predial nesta comarca, onde exerceu os principais cargos.

 

·        Manuel da Silva – Nasceu nesta Freguesia, no lugar do Barroco. Soldado da Grande Guerra, morreu agarrado à sua metralhadora, nos Campos da Flandres, praticando tais actos de valor e Heroicidade que causaram o assombro do inimigo.

 

·        Dr. Teotónio da Fonseca – Bacharel em Direito, Conservador do Registo Predial em Barcelos, senhor da Casa de Paços, Membro da Associação, historiador e autor de monografias locais e genealogista; publicou O Conselho de Barcelos Aquém e Alem Cavado, Esposende e o Seu Conselho, Um Punhado de Genealogias, Mais Genealogias e Divagando(Póstumo).

 





União de Freguesias de Silveiros e Rio Covo


Foi Constituída em Janeiro de 2013,conforme diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias), no âmbito de uma reforma administrativa nacional, com a agregação das freguesias de Silveiros e  de de Rio Covo (Sta Eulália), para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Silveiros e Rio Covo (Santa Eulália) 

A Sede da União ficou em Silveiros.

É uma freguesia portuguesa do concelho de Barcelos com 8,235 km² de área e 2 151 habitantes (2011), Densidade: 261,4 hab/km².

Em de 2013, foi eleito o seu primeiro presidente - Manuel João Garcia Costa, do partido PSD.

Em 2017, foi eleito o seu segundo Presidente - Maria da Conceição Ferreira da Cunha Faria, Independente (MUDA)







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